A impulsividade é um traço de personalidade implicado em um número variado de comportamentos normais e patológicos.
Na clínica da saúde mental, a impulsividade atravessa diferentes categorias diagnósticas e transtornos de personalidades. Nos últimos 15 anos, observamos um crescimento geométrico da literatura científica sobre o tema com conseqüentes repercussões para a clínica. Paralelamente, não podemos ignorar que vivemos numa época em que a demanda por performance sempre melhor é uma fonte contínua de estresse, concomitante com uma oferta sempre crescente de produtos, bens de consumo e serviços, numa multiplicidade de estímulos que nos chegam por telecomunicação, mundo digital, etc...
Sob este bombardeio é quase impossível não perder o foco e às vezes apresentarmos reações impulsivas. Os indivíduos mais vulneráveis acabarão por recorrer ao clínico que deve estar capacitado a responder a esta demanda. O Ambulatório Integrado dos Trantornos do Impulso (AMITI) do Instituto de Psiquiatria é um serviço composto por profissionais, clínicos e pesquisadores de diferentes áreas (transtornos alimentares, dependência, jogos de azar e sexualidade) que se reuniram para compartilhar suas experiências e investigar formas mais eficazes da abordagem dos comportamentos impulsivos que atravessam diferentes síndromes.
Como ponto de partida consideramos a impulsividade como um fenômeno primário de desinibição do comportamento caracterizado por atos realizados subitamente sem planejamento, ou sob a pressão de um desejo irreprimível, isto inclui perda de controle sobre comportamentos agressivos contra si próprio ou outrem, comportamento transgressivo e anti-social, comportamento errático por déficit de atenção ou instabilidade afetiva e as chamadas compulsões químicas e não químicas (compras, comida, sexo, jogo, internet, etc.).